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Indústria de embalagens tem dificuldade para atender pedidos durante a pandemia

Atualizado: Mai 12




O Brasil conheceu na quarta-feira (3) o impacto da pandemia no PIB. A economia encolheu mais de 4% em 2020. Mas foi um período em que o consumo de um item essencial em diversos setores disparou e, agora, a escassez dele tem atrapalhado a recuperação da indústria. Daqui de dentro, ela viu de perto a mudança. A caixa de papelão correu com o remédio, carregou o eletrônico, abasteceu a dispensa, levou o almoço, embalou a economia desde que o vírus impôs o distanciamento social. O diretor de operações de um dos maiores centros de distribuição do comércio eletrônico nunca tinha visto tanto vai e vem de caixas. “A gente cresceu no terceiro trimestre de 2020 131%. Então todo esse crescimento gera também um crescimento de consumo dos materiais de embalagem, e tinha uma escassez desse tipo de material no mercado, e houve um aumento de preços”, relatou o diretor de operações do mercado de envios no Brasil, Luiz Vergueiro. Depois de virar protagonista, o papelão roubou a cena e depois sumiu. “Logo que começou o lockdown, o volume de pessoas na rua, nas lojas caiu muito. Com isso, os catadores de papel começaram a encontrar menos material na rua. E eu quero lembrar que algo como 70%, 75% da matéria-prima para fazer as caixas de papelão vêm do papelão reciclado”, disse o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados. Raro e caro, o papel ainda coloca limites para a retomada da indústria. “Hoje a gente está com uma falta de insumos muito grande. Nossos fornecedores estão com capacidade lotada e os prazos de entrega quase que dobraram - 60% foi reajuste de caixa de embarque do ano passado para esse. Se eu colocar o pedido hoje, o pedido é entregue daqui a 60 dias; então é uma situação bem difícil para caixa de embarque”, afirmou o diretor industrial Sidney Anversa Júnior. A indústria não estava programada para o calendário da pandemia. Nos primeiros meses de quarentena, as máquinas andaram devagar quase parando. Alguns meses depois, o ritmo de produção voltou a ficar forte e as fábricas já trabalhavam em três turnos. Setembro e outubro de 2020, quando já não faltavam pedidos, começou a faltar papel. Não que os produtores estivessem parados. As fábricas de embalagem foram as primeiras a sentir a crise e a ouvir os sinais de recuperação. Na comparação do primeiro trimestre de 2020 com o mesmo período do ano anterior, a produção de papel ondulado no país cresceu 7%. Com o começo da pandemia, caiu 3,5%. No terceiro trimestre, registrou um aumento de mais de 10%. E nos últimos três meses do ano, o aumento continuou forte: quase 8%. Um problema inusitado para um ano de pandemia: ter dificuldade de atender o volume de pedidos. “Na realidade, o setor está na capacidade total, desde o mês de julho do ano passado, trabalha muito próximo da capacidade e isso faz com que a gente tenha que atender os volumes históricos dos nossos clientes, tendo dificuldade de vender em volumes maiores mesmo que eles tenham uma necessidade maior por conta do aumento das suas vendas”, explicou Sérgio Ribas, presidente de uma empresa de embalagens. A indústria brasileira de árvores, que representa a cadeia de base florestal do campo à indústria, estima que em 2020 a demanda por papel cartão - outro tipo de matéria prima para embalagens - alcançou 630 mil toneladas, um crescimento de 6,4% na comparação com 2019. E diz que: “Essencial, essa indústria não interrompeu as atividades durante a pandemia, com operações reorganizadas para garantir segurança dos trabalhadores, empenhada em atender o mercado”. O economista José Roberto Mendonça de Barros vê a pressão sobre insumos da indústria como um fenômeno mundial. Mas o disse que Brasil tem um desafio a mais. “No caso brasileiro, nós temos que adicionar em algumas áreas o fato de que nos últimos dez anos, quando as nossas crises começaram a se tornar mais recorrentes, muitas companhias pararam de expandir capacidade produtiva. E, portanto, não tem, mesmo, capacidade para aumentar a produção”, disse ele. Na fábrica de chocolate, fica no porão o produto mais precioso da produção. “As embalagens viraram realmente o ouro para nós devido a todos os aumentos que tivemos”, contou o diretor-financeiro da empresa. O jeito foi reciclar o prejuízo do ano em que não teve Páscoa. “Em torno de 20% das embalagens que não foram utilizadas a gente está utilizando esse ano. E agora vamos ver, tentar vender, ver se em 2021 a gente tem um crescimento em relação a 2020 que foi muito complicado”, afirmou.

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